Antes de mais, quero referir que estás "crónicas" não têm nada a ver com acontecimentos recentes.
Foram escritas à bastante tempo (data do ficheiro - 26/6/04).
Isto apenas para não ferir susceptibilidades ou criar mal entendidos. Obrigado.
BOHEMIAN LIKE ME!?
Para além disso, a vida decorria normalmente e ao seu próprio passo. A mesma rotina, a mesma boémia aos fins-de semana. Todos os dias, considerava que tinha, pelo menos, em breve que findar com tudo aquilo.
As pessoas crescem, os amigos vão casando e quando menos reparamos, somos o último solteirão e já fazem apostas relativas a que idade vais, finalmente, casar e “deixar de dar dores de cabeça aos teus pais”. Ainda me é difícil imaginar esse conceito e tenho boas razões para isso:
A Igreja (o que para um ateu e agnóstico como eu se torna um conceito tão intrincado como um universo deca-dimensional no momento do Big Bang ou outras teorias da Física Quântica moderna).
As mães (e pais) chorosos (totalmente dispensável, pois as fotografias vêm a seguir e vai-lhes dar cabo de horas de preparação).
A leitura de uns sermões (ou seja, coisas fixes e totalmente poéticas, que, quem sabe poderíamos ter aproveitado em inúmeras ocasiões. Outras não convém dizer a feministas ferrenhas…)
O “Sim” (que muitas das vezes, a meio da vida conjugal preferíamos ter tido hipóteses múltiplas)
As Fotografias (geralmente pessoas suadas não ficam melhor, nem com múltiplas aplicações de base e outros cosméticos. Também se pode dizer que é o maior desfile de sorrisos amarelos do mundo, pelo menos da parte dos noivos).
As Criancinhas (a correr desenfreadamente por todo o lado sem o controlo dos progenitores, ou, mais recentemente, sentadas a jogar Game Boy, totalmente absortas e quietas. Já que não se pode trazer a TV., arranja-se um substituto).
O “Copo-de-Água” (expressão que ainda me fascina, pois parece que ninguém sabe como surgiu. Resume-se, a ser um festim como nos livros do Astérix, só que temos que gramar com o bardo)
A Banda (bem… vocês sabem!!!)
O Bolo (o ponto alto na vida de um pasteleiro. Mas porque tão altos?)
O Lançamento do Bouquet (versão moderna e mais light de atirar os cristãos ás feras.)
Mingle… (ou seja, a convivência pela parte dos noivos com os convidados. Também conhecido como Intervalo…Intervalo dos sogros.)
Lua-de-mel (eis outra palavra que também nunca irei descobrir de onde surgiu…Resume-se à “suposta” noite em que os recém casados dormem pela primeira vez juntos no mesmo leito, pelo menos com o conhecimento de ambas as partes paternais…e de mais 100 pessoas).
Enfim, não é que queira destruir o ritual do casamento. Para mim, não passa mesmo disso, um ritual. Algo de simbólico, corajoso e com direito a descontos no I.R.S., mais nada. Depois torna-se como a descoberta do caminho marítimo para a Índia:
-“ Foi difícil a principio, até alguém conseguir passar, mas seguidamente toda a gente o fez. Temos as rotas e as coordenadas, é só seguir…” Melhor do que isto só o mapa da Michelan…
Admita-se, o casamento é no fundo algo corajoso. A aceitação de outra pessoa como “a pessoa” é um mérito. Chegaram ao fim da sua busca ou apenas se conformaram, dependendo dos casos.
Quando se é solteiro, a masturbação é o desporto favorito nos dias de semana. A “nossa mulher” ou é uma cerveja, um animal de estimação ou um televisão, pois são as únicas coisas que ansiamos por chegar a casa e que geralmente esperam por nós até tarde…. Em casos doentios é: um peluche, uma quinta-feira à noite ou uma boneca insuflável (por vezes todos ao mesmo tempo). Todos os dias são uma página em aberto, ou quase, em que fazemos o que nos der na vinheta. Claro que há uma tendência para a rotina, mas é impressionante as pessoas que gostam da sua.
A rotina tendenciosa para o dormir no sofá, como os meus pais, em que já quase não conseguem ter uma noite de sono decente, sem ser, precisamente, no sofá. Aliás, o sofá, acabou tornando-se quase como aquele monólito do “2001-Odisseia no Espaço”, um objecto estático e preto no meio de uma sala, em que duas criaturas quase amorfas se desfalecem no seu encanto e acordam de vez em quando, geralmente quando os créditos dos filmes aparecem.
A princípio era misterioso e interessante, mas agora já compartilham rugas…Que “poéticas” são as noites de fim-de-semana, eles os dois ali em frente a um debitador de imagens a 25 fotogramas por segundo, tentando ver um programa que geralmente acabam não vendo, lutando contra o cansaço de uma semana de trabalho, tentando convencer o outro a ir para a cama…para apenas voltarem a adormecer. Ah… o casamento!
Eu sei que insisto muito nesta temática, mas é um dos meus passatempos favoritos. Analisar uma relação é quase como ver uma novela. Não sou muito fã de novelas, mas fascinam-me as pessoas. Sim, as pessoas. São como pequenos livros. Têm uma capa, uma contra-capa e uma história. Por vezes só a capa já é fascinante. Agora, como conseguir ler a história? Por vezes, só se consegue pelo amor, outras, por uma confiança e amizades desmedidas. Ainda assim, por vezes não chegamos ao fim, mas vermos a contra-capa já é recompensador.