domingo, 24 de agosto de 2008

Contos para Setembro

Por esta altura do ano, a Lua já entra pela minha janela, como que a saudar-me, por mais uma estação que se aproxima. Talvez no fundo diga: "Viva amigo!!! Celebremos mais um ano." Ergo o copo e olho pelo meio dele, celebrando-a. "A mais um ano, minha velha."

I

O Candeeiro.

Existe, aqui no meu bairro, um candeeiro, que só por si não tem nada de especial. Pendurado, com o pescoço meio cansado, alumia já pouco, tal é a idade.
Por vezes, o cansaço transparece. Estas coisas da idade, já se sabe. Noutras ilumina incansável até à aura do dia. Por vezes, deixa-se ir num "sonho" e esquece-se do seu acender até mais tarde. 11h da noite e ainda descansa. Mais tarde irá acordar!.
Já vieram técnicos tentar averiguar, do que o velho candelabro padece, mas nenhuma resposta. Alteram a lâmpada, mas não o "coração". Alteram a circulação, mas não a "alma". Limpam o visor mas não a "visão"
E o "velho" ainda ali está. Por vezes mais feliz, noutras nem por isso.
Nem as andorinhas e os morcegos que o circundam já o fazem animar.
Mas o "velho" tem mais que se lhe diga, que de velho não tem muito. Não tem a elegância dos postes de estrada, esguios e sincronizados no acender, mas a atitude,
ninguém lhe retira.
Que se pode fazer...é de "humores"?!!

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