terça-feira, 31 de março de 2009

O Homem Que Viveu 2 Vezes.






Na manhã de segunda feira, 6 de Agosto de 1945, a manhã estava limpa, com o calor da época.
No vasto céu, se se olhasse bem, poder-se-ia distinguir três riscos brancos, disferindo nuvens brancas no firmamento azul.

No céu, um B-29 chamado Enola Gay, pilotado por Paul Tibbets.
No solo o Sr. Tsutomu Yamaguchi (T.Y.)engenheiro em viagem de negócios à cidade.
Ambos estavam predestinados a fazer história, pelas mais diferentes razões.

Na linha de fronteira da zona crítica da bomba, foi atingido pelas chamas, que o apanharam do lado esquerdo. Perdeu todo o cabelo, ficou surdo, temporariamente cego e sofreu queimaduras no tronco.
Teve a sorte de ser assistido, numa cidade onde mais de 90 por cento do pessoal médico pereceu de imediato na explosão.
Coberto de ligaduras, o engenheiro passou a noite num abrigo e, assim que pôde, tratou de regressar a casa em... Nagasaki.

Y. estava no escritório, a explicar ao chefe como sobrevivera à carnificina de Hiroxima, quando a segunda (e última, até hoje) bomba atómica da história dos conflitos humanos deflagrou a cerca de três quilómetros de distância.
Morreram 70 mil pessoas nesse dia e a radiação vitimou muitas outras nas décadas seguintes.

Paul Tibbets, morreu a 1 de Novembro de 2007.
Em 1975, quando confrontado sobre o acontecimento que provocou, apenas afirmou que não tinha nenhum arrependimento em relação ao ocorrido. "Tenho orgulho de ter sido capaz de ter começado com nada, planeado tudo e ter executado o trabalho o mais perfeitamente possível...Durmo tranquilamente todas as noites (...) Se me derem as mesmas circunstâncias, faço-o outra vez".

Yamaguchi sobreviveu e tornou-se num convicto activista antinuclear. As pessoas ouvem-no. Ele sabe do que fala.

"Não consigo conceber como é que o mundo não percebe a agonia das bombas nucleares. Como é que continua a desenvolver estas armas?"





(com excertos do artigo do Público da autoria de Luís Francisco.)

segunda-feira, 23 de março de 2009

A Carta


"Who is left that
Writes these days?"

-PJ Harvey - The Letter

Hoje recebi a carta do meu amigo Hugo, que reside, actualmente na Escócia ((R)EPTUNO...sim, podes usar o nome à vontade que não te vou cobrar nada. Já agora, vão ao site dele sff).
Ainda escrevo cartas, não de amor, pois essas são ridículas, mas das outras.

Escrever um carta, requer tempo, vontade e concentração. Não é apenas algo "postado" num ecrã, escrito ao bater de teclas e num linguagem curta.
Não. Uma carta precisa que lhe dediquemos tempo para ponderar o que vamos assentar. Por vezes, não se escreve num dia, mas sim, ao longo de vários, como uma espécie de diário.
Precisa de vontade. Vontade de escrever e não ser molenga. Vontade de escrever, pelo prazer de sentir o aparo a roçar no papel, vontade de contar (sem cuscar).

Precisa de concentração. Organizar os nossos pensamentos e ideias, para não rasurar e corrigir em demasia e, em especial, para atinarmos com a letra e a morada (a que escrevemos e a que recebemos).

Escrever uma carta envolve algo que não é imediato, instantâneo, o AGORA, o JÁ, o SMS. É lento, moroso mas recompensador. Abrir a caixa de correio e estar lá um papel endereçado a nós.
É como um presente de Natal, algo de mim para ti, do meu pensamento para o teu, "falado" numa languidez que ambos sofremos e compreendemos.
Olhamos para o selo de um outro pais, da data de emissão de à 1 semana atrás (ou algo) e não podemos deixar de ficar agradados, apenas pelo simples facto da nossa mensagem ter sido recebida e correspondida.

PS: Escrevam mais cartas...ou o PS acabará definitivamente.

domingo, 15 de março de 2009

Look Up


Foto: Peter EssicK - NG



Olhar para cima e deixar-se deslumbrar. A mesma rua, altera-se com este novo plano e, até os próprios pássaros, admiram-se, como que um trespassor lhes invadisse o território.

Sempre tive este hábito. Raramente olho apenas no meu plano de visão periférico. Se for a um sitio novo, verão mais depressa as minhas narinas que os meus olhos.

O "Plano Superior", creio, que foi o que nos impulsionou até ao pico evolutivo a que agora nos encontramos.
Desafiou-nos a questionar por um dEUS (escrevo assim, pois sou ateu), se estamos sós no Universo; desafiou Galileu a construir o telescópio e Da Vinci ao planador, entre muitas mais histórias que não me lembro agora.

O espírito inquisitivo e irrequieto que compõe o ser humano define-se pelo seu ângulo de visão.

Alguém que olhe para cima, descobrirá sempre algo...seja uma pergunta ou uma resposta.

terça-feira, 10 de março de 2009

Zombie TV


Durante a Ditadura, tínhamos Fátima, Futebol e Fado.

Hoje, num estado, Livre e Democrático, temos programas absurdos de apanhados, em risadas enlatadas, vídeos caseiros de à mais de 50 anos e novelas em dose tripla, tudo para a catatonice do povo.

De dia, metem-nos medo com as estatísticas da crise e à noite distraem-nos. Que o "povinho" é mesquinho, já sabíamos, mas, esta estratégia de aterrorizar para controlar é demasiado descarada.

A manipulação que, os media televisivos, executam criteriosamente todas as noites na tentativa de consumir as audiências, cada vez mais, põe as pessoas num estado frenético e bipolar.

O gosto/odeio o pais. Na Espanha é que é bom. Isto ainda vai ser pior. Enfim...

Este crise podia ser benéfica. Ao invés de verem o nojo dos 3 canais (valha-nos a 2), viam o NG, o Odisseia, o Discovery, raios...o Blomberg se ainda existisse... ao menos aprendam algo!!!
Aprendam quem foi o Felinni, o Kubrik, saibam o que é um ano-luz, que os pinguins acasalam para a vida, que a Aracnofobia não é apenas um filme, que um Big Mac na Indonésia custa 18700 rúpias ou 1,55 lats na Lituânia!!!

Já não vale o Futebol, Fátima está obsoleta, e o Fado, é World Music.

segunda-feira, 9 de março de 2009

Fight the Power


Recentemente acabou de ser julgado um processo contra os criadores do site, Pirate Bay.
Empresas como a Warner, a Sony BMG, a Universal ou a EMI, estão enlaçadas neste processo que pode chegar até aos 10 milhões de € de indemnização...; meros trocos para estes tubarões e a 1 ano de prisão para cada um dos 4 fundadores.
De acordo com os advogados do "piratas" o site é legal.

Já tivemos os Metallica vs Napster (grupo que, ironicamente deve muito, se não tudo, à pirataria das suas cassetes). Venceu o primeiro. O Napster fechou e as regras mudaram.

Ora, então, porquê tanto barulho!?

Empresas multi-bilionárias à guerra por meras migalhas, que fazem num minuto.
Esta deve de ser a ideia de guerrilha que têm...processo, prisão, multas...uhhhh...que medo.

No fundo é o que lhes resta, um mero grito de desespero pelo dinheiro que podia ir para eles.
O inicio da era da Internet e da troca de ficheiros implica uma nova aproximação como a dos Radiohead e outros grupos. As grandes editoras irão definhar lentamente e, os artistas, deixarão de ser tão gananciosos.
Temos formato digital e, se quiserem, o físico nas lojas. Simples. O que poderá acontecer num futuro próximo, será o aumento do preço dos concertos, mas ai seremos ainda mais exigentes e, suponho que, seremos mais levados em consideração.

A Internet é a maior apologia de liberdade num estado livre. EU quero a Internet livre. NÃO QUERO PAGAR PROGRAMAS que se actualizam de ano em ano e/ou são demasiado caros.
Compro o CD ou DVD se gostar, pois, ao efectuar esta compra de algo original, estou a "dizer" ao autor:
"Aqui tens o meu contributo por este bom trabalho. Continua".

O que acontece é que as empresas que globalizaram, foram, elas mesmo, globalizadas, por uma força invisível de 0 e 1´s que não parará, não dormirá nem nunca se renderá às palavras do que têm demais para os que têm pouco.

sábado, 7 de março de 2009

O Pé


Estudo de um pé - Salvador Dali (1922)




Ao despertar, a dor lancinante que, em vagas cardíacas, lhe invade o pé, fá-lo agoniar. Os dentes rangem e os poros suam. Qualquer movimento, implica uma dor atroz.
Em qualquer posição, a dor atordoa-o, tornando qualquer movimento uma súplica.
Uma "grilheta" invisível, acompanha-o agora, arrastando-se e lembrando-o onde quer que vá.
Aperta o pé o máximo possível. Gaze, gelo, ligadura elástica...sim...um pequeno "conforto". No meio de tudo isto, considera a "Insustentável Leveza do Ser" e dá uma risada. Mais uma vaga de dor.
Agora considera que esta agonia seria ideal para os pecadores e moralistas, uma actual manifestação física, tão forte, que considerassem inúmeras vezes antes de praticar o mal.
Que bela dor essa seria. Um "deus ex machina". A libertação do mal sob tal forma que os hospitais seriam prisões, que nenhum medicamento resolveria e as igrejas seriam esquadras, onde os arrependidos se confessariam.
Uma dor sem tempo nem momento exactos...inconstante e sem período definido.
Pessoas reunidas por aquilo que tentam evitar, num tumulto de auto-ajuda.

O que passa na cabeça de uma pessoa, enfiada na cama à 2 dias, com uma horrível dor no pé, que ninguém sabe o que é, e, que os medicamentos não ajudam.

domingo, 1 de março de 2009

Never Say Never Again





É ofical. Os Faith no More (FNM) Estão de volta.
Após dez anos de interregno e muitas saudades, em especial para mim, que perdi o último concerto deles, eis que estes "Magnificent Bastards" voltam.
Tudo explicadinho no seu site semi-oficial.

Regressam com a mesma formação de ´98 (uau...10 anos passam a voar) e, supostamente, vão andar pela Europa, em festivais de Verão (Paredes de Coura?!) o que nos dá a nós, europeus e não só, de rejubilar.

Que fiquem juntos até eu os ver...ou até dizerem No More...Again.


FAITH NO MORE are:
Mike Bordin, Roddy Bottum, Bill Gould, Jon Hudson and Mike Patton

http://www.fnm.com/