
Na manhã de segunda feira, 6 de Agosto de 1945, a manhã estava limpa, com o calor da época.
No vasto céu, se se olhasse bem, poder-se-ia distinguir três riscos brancos, disferindo nuvens brancas no firmamento azul.
No céu, um B-29 chamado Enola Gay, pilotado por Paul Tibbets.
No solo o Sr. Tsutomu Yamaguchi (T.Y.)engenheiro em viagem de negócios à cidade.
Ambos estavam predestinados a fazer história, pelas mais diferentes razões.
Na linha de fronteira da zona crítica da bomba, foi atingido pelas chamas, que o apanharam do lado esquerdo. Perdeu todo o cabelo, ficou surdo, temporariamente cego e sofreu queimaduras no tronco.
Teve a sorte de ser assistido, numa cidade onde mais de 90 por cento do pessoal médico pereceu de imediato na explosão.
Coberto de ligaduras, o engenheiro passou a noite num abrigo e, assim que pôde, tratou de regressar a casa em... Nagasaki.
Y. estava no escritório, a explicar ao chefe como sobrevivera à carnificina de Hiroxima, quando a segunda (e última, até hoje) bomba atómica da história dos conflitos humanos deflagrou a cerca de três quilómetros de distância.
Morreram 70 mil pessoas nesse dia e a radiação vitimou muitas outras nas décadas seguintes.
Paul Tibbets, morreu a 1 de Novembro de 2007.
Em 1975, quando confrontado sobre o acontecimento que provocou, apenas afirmou que não tinha nenhum arrependimento em relação ao ocorrido. "Tenho orgulho de ter sido capaz de ter começado com nada, planeado tudo e ter executado o trabalho o mais perfeitamente possível...Durmo tranquilamente todas as noites (...) Se me derem as mesmas circunstâncias, faço-o outra vez".
Yamaguchi sobreviveu e tornou-se num convicto activista antinuclear. As pessoas ouvem-no. Ele sabe do que fala.
"Não consigo conceber como é que o mundo não percebe a agonia das bombas nucleares. Como é que continua a desenvolver estas armas?"
(com excertos do artigo do Público da autoria de Luís Francisco.)
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