sábado, 7 de março de 2009

O Pé


Estudo de um pé - Salvador Dali (1922)




Ao despertar, a dor lancinante que, em vagas cardíacas, lhe invade o pé, fá-lo agoniar. Os dentes rangem e os poros suam. Qualquer movimento, implica uma dor atroz.
Em qualquer posição, a dor atordoa-o, tornando qualquer movimento uma súplica.
Uma "grilheta" invisível, acompanha-o agora, arrastando-se e lembrando-o onde quer que vá.
Aperta o pé o máximo possível. Gaze, gelo, ligadura elástica...sim...um pequeno "conforto". No meio de tudo isto, considera a "Insustentável Leveza do Ser" e dá uma risada. Mais uma vaga de dor.
Agora considera que esta agonia seria ideal para os pecadores e moralistas, uma actual manifestação física, tão forte, que considerassem inúmeras vezes antes de praticar o mal.
Que bela dor essa seria. Um "deus ex machina". A libertação do mal sob tal forma que os hospitais seriam prisões, que nenhum medicamento resolveria e as igrejas seriam esquadras, onde os arrependidos se confessariam.
Uma dor sem tempo nem momento exactos...inconstante e sem período definido.
Pessoas reunidas por aquilo que tentam evitar, num tumulto de auto-ajuda.

O que passa na cabeça de uma pessoa, enfiada na cama à 2 dias, com uma horrível dor no pé, que ninguém sabe o que é, e, que os medicamentos não ajudam.

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