domingo, 17 de maio de 2009

The computer says:


Foto - Sérgio das Neves


No trabalho, frente ao pc, por vezes damos connosco a deambular. Uma projecção involuntária do nosso eu, queda-se ali, frente ao monitor, mecânicamente movendo o rato e acertando linhas. A outra, começa a exploração do nosso consciente, tentando arrumar a tralha de 31 anos de vida, numa biblioteca de Babel dentro de um pequeno invólucro craniano.
Surgem as perguntas, interrogações e exclamações do nosso estado.
Que faz isto aqui?
Vai fora?
Hum...não sei. Deixa estar, pode ser útil. Arruma ai num canto, que logo se vê.
E vai ficando.
Até que num ponto, surge a questão. O que mudou neste tempo todo?
Todas as tuas acções e reacções?
As opções certas e erradas?
Por onde te levam?

E eis que um "deus ex machina" entra em acção, para nos confundir mais.
Será que o computador tem razão?
Nada mudou?

A música do Lou Reed ressoa cada vez mais alto.

Why can't I be good
Why can't I act like a man
Why can't I be good
And do what other men can

Why can't I be good
Make something of this life
If I can't be a god
Let me be more than a wife

Why can't I be good
I don't want to be weak
I want to be strong
Not a fat happy weakling

With two useless arms
A mouth that keeps moving
With nothing to say

sexta-feira, 1 de maio de 2009


You're traveling through another dimension, a dimension not only of sight and sound, but of mind. A journey into a wondrous land whose boundaries are that of imagination. That's the sign post up ahead, your next stop...The Twilight Zone!"

Assim começavam as noites na RTP2 (na altura) às 23 horas...tardíssimo para a minha mãe, que exigia que estivesse deitado às 22.30.
Posso e afirmo, que a Quinta Dimensão (Twilight Zone) mudou e formou a pessoa que hoje sou.

Para um miúdo de 11 anos, ver aquelas histórias impossíveis e improváveis, fez-me aumentar os meus horizontes e interessar-me por itens que me introduziram ao oculto, ao paranormal e ao fantástico.

Sou meio "nerd". Acho que o Cap. Piccard bate aos pontos o Cap. Kirk, Star Wars é "the best movie...ever", excepto o 3º episódio (Ewoks suck) e que sei o que é um gluão ou a partícula de Higgins, o que é o MK-ULTRA ou projecto Tuskegee.

Sou fã de uns...de outros nem por isso.

A Quinta Dimensão, ensinou-me a pensar, a investigar e a tirar as minhas conclusões.

Por ser o que sou, o meu muito obrigado Sr. Rod Serling.

http://www.twilightzone.org/

domingo, 26 de abril de 2009

E Depois do Adeus?! v2.0

Quis quer saber quem sou
O que faço aqui.
O Governo me abandonou, mas eu já esqueci
Perguntei por ele
Não quis saber de nós
Mas o bar não traz a tua voz

Em silêncio, horror
Em tristeza e fim
Eu sinto-me bolor
Eu sofro em mim
Eu lembro-me assim
Pagar é morrer
Mas como ganhar?
Imigrar ou perder

Tu vieste em 12
Eu te desfolhei
Tu me deste valor
E eu nada reti
Paguei com o corpo, amor
Não adormeci
Morri nele
e ao morrer
Renasci

E depois do amor
E depois de nós
O dizer euró
O ficarmos sós
Teu lugar a mais
Tu sempre no fim
Tua paz, perdi
Minha dor reaprendi
De novo vieste em flor
Mas te gastei...

E depois do amor
E depois de nós
O adeus
O ficarmos sós


Antes de mais, queria dizer que esta é a minha música de Abril. Não a reescrita em cima, mas sim a original.
Algures na TV disseram algo como isto:

" O Paulo de Carvalho, teve a infelicidade de ter nascido em Portugal. Nos EUA seria equiparado ao um Tony Bennett e, com certeza, com muito mais sucesso."

Não deixem o 25 de Abril ser apenas mais um feriado.
A luta tem de continuar. A luta pela memória.

domingo, 19 de abril de 2009

Contra




Acho que corria o ano de 1992. Nessa altura os computadores, e, em particular, os gráficos computorizados, começavam a meteórica ascensão a que hoje nos habituamos. Nesses tempos, havia uma feira de informática a IMAGINA, onde uma companhia chamada Pixar, apresentou, então, uma pequena animação com um simpático candeeiro e uma bola. Fiquei rendido. Queira fazer animação.

Mas, os programas eram caríssimos, levava-se dias a fazer um render num 286, e era impensável programa-los, para mim, pelo menos.

Perguntaram a um dos intervenientes se achava que a realidade virtual seria um perigo para os desenhadores tradicionais, ao que respondeu:

-Sabe, sempre se disse isso aquando do surgimento de algo. Diz-se que o cinema matou os livros, a tv matou o cinema. Bem a realidade virtual matar-nos-à a todos nós.
No entanto todas essas tecnologias ainda persistem, por isso acho que vamos ficar bem.

Há duas semanas, os meus livros atacaram o meu computador. Espero que não seja o inicio de algo.
O pc aguentou bem o impacto de toda aquela cultura, nomeadamente de pintura do séc. XX. Uns arranhões e uma capa nova...et voilá.

E eu a pensar que seria desta que comprava um Mac. Bolas.

sábado, 11 de abril de 2009

Ciconia Ciconia


Ainda há-de vir o dia em que entenderei, o pavor, o horror, que as gentes de poder, deste local, têm contra as Cegonhas. Exacto, as Cegonhas.

Primeiro, foi o pároco.
Atirou-lhes pedras e sabe-se lá que mais judiarias provocou ao pobres bichos.
Grande alarido e burburinho à boca pequena, assolou toda a cidade. Acho que, apenas depois de uma reportagem televisiva e mais uns artigos em jornais, é que a coisa acalmou.
O mais interessante é que as Cegonhas, são consideradas, pelos cristãos, como
"inimigas do mal" pois alimentam-se, entre outras coisas, de serpentes, símbolo do Diabo.

Recentemente, a CMO, investiu num "sistema" mais elaborado e caro para as eliminar.
O "Sistema" chama-se Auditório Municipal de Olhão.
5,2 milhões de euros, financiada em 70 por cento por fundos comunitários.

Construído no local da antiga fábrica Ramires, o Auditório mantém a chaminé original do edifício, que alberga uma ‘inquilina’ bastante especial: uma cegonha.

“Nós quisemos deixar esta chaminé. Foi recuperada de acordo com as novas tecnologias e, portanto, custou-nos um valor apreciável: cerca de 200 mil euros”, conta e sublinha que a estrutura está preparada para resistir a um sismo de forte intensidade.
O mais importante para nós é que esta chaminé, este símbolo que é também a cegonha, significa muito para nós, significa a defesa do ambiente e que temos cada vez melhores condições ambientais”, acrescentou o edil.


Tudo isto é muito giro...não fosse o caso de a chaminé onde reside o casal de cegonhas, ser...um PÁRA RAIOS.
200 mil euros para chacinar um casal de cegonhas...agora ai está um excelente plano.

terça-feira, 31 de março de 2009

O Homem Que Viveu 2 Vezes.






Na manhã de segunda feira, 6 de Agosto de 1945, a manhã estava limpa, com o calor da época.
No vasto céu, se se olhasse bem, poder-se-ia distinguir três riscos brancos, disferindo nuvens brancas no firmamento azul.

No céu, um B-29 chamado Enola Gay, pilotado por Paul Tibbets.
No solo o Sr. Tsutomu Yamaguchi (T.Y.)engenheiro em viagem de negócios à cidade.
Ambos estavam predestinados a fazer história, pelas mais diferentes razões.

Na linha de fronteira da zona crítica da bomba, foi atingido pelas chamas, que o apanharam do lado esquerdo. Perdeu todo o cabelo, ficou surdo, temporariamente cego e sofreu queimaduras no tronco.
Teve a sorte de ser assistido, numa cidade onde mais de 90 por cento do pessoal médico pereceu de imediato na explosão.
Coberto de ligaduras, o engenheiro passou a noite num abrigo e, assim que pôde, tratou de regressar a casa em... Nagasaki.

Y. estava no escritório, a explicar ao chefe como sobrevivera à carnificina de Hiroxima, quando a segunda (e última, até hoje) bomba atómica da história dos conflitos humanos deflagrou a cerca de três quilómetros de distância.
Morreram 70 mil pessoas nesse dia e a radiação vitimou muitas outras nas décadas seguintes.

Paul Tibbets, morreu a 1 de Novembro de 2007.
Em 1975, quando confrontado sobre o acontecimento que provocou, apenas afirmou que não tinha nenhum arrependimento em relação ao ocorrido. "Tenho orgulho de ter sido capaz de ter começado com nada, planeado tudo e ter executado o trabalho o mais perfeitamente possível...Durmo tranquilamente todas as noites (...) Se me derem as mesmas circunstâncias, faço-o outra vez".

Yamaguchi sobreviveu e tornou-se num convicto activista antinuclear. As pessoas ouvem-no. Ele sabe do que fala.

"Não consigo conceber como é que o mundo não percebe a agonia das bombas nucleares. Como é que continua a desenvolver estas armas?"





(com excertos do artigo do Público da autoria de Luís Francisco.)

segunda-feira, 23 de março de 2009

A Carta


"Who is left that
Writes these days?"

-PJ Harvey - The Letter

Hoje recebi a carta do meu amigo Hugo, que reside, actualmente na Escócia ((R)EPTUNO...sim, podes usar o nome à vontade que não te vou cobrar nada. Já agora, vão ao site dele sff).
Ainda escrevo cartas, não de amor, pois essas são ridículas, mas das outras.

Escrever um carta, requer tempo, vontade e concentração. Não é apenas algo "postado" num ecrã, escrito ao bater de teclas e num linguagem curta.
Não. Uma carta precisa que lhe dediquemos tempo para ponderar o que vamos assentar. Por vezes, não se escreve num dia, mas sim, ao longo de vários, como uma espécie de diário.
Precisa de vontade. Vontade de escrever e não ser molenga. Vontade de escrever, pelo prazer de sentir o aparo a roçar no papel, vontade de contar (sem cuscar).

Precisa de concentração. Organizar os nossos pensamentos e ideias, para não rasurar e corrigir em demasia e, em especial, para atinarmos com a letra e a morada (a que escrevemos e a que recebemos).

Escrever uma carta envolve algo que não é imediato, instantâneo, o AGORA, o JÁ, o SMS. É lento, moroso mas recompensador. Abrir a caixa de correio e estar lá um papel endereçado a nós.
É como um presente de Natal, algo de mim para ti, do meu pensamento para o teu, "falado" numa languidez que ambos sofremos e compreendemos.
Olhamos para o selo de um outro pais, da data de emissão de à 1 semana atrás (ou algo) e não podemos deixar de ficar agradados, apenas pelo simples facto da nossa mensagem ter sido recebida e correspondida.

PS: Escrevam mais cartas...ou o PS acabará definitivamente.